segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Modelos da Comunicação

“...Um modelo é como um mapa. Representa as características seleccionadas do seu território: nenhum mapa ou modelo pode ser exaustivo. Um mapa das estradas apresenta características diferentes de um mapa climatérico ou geológico de um país. Quer isto dizer que temos de ser intencionais e deliberados na escolha do mapa; temos que saber porque nos decidimos por ele e quais os conhecimentos que dele exigimos.
O problema é que, nos modelos, os propósitos não estão geralmente tão claramente assinalados…”




Modelos de Base Linear


O Modelo Linear de Lasswell

Harold Lasswell, professor da Universidade de Michigan, dos Estados Unidos da América, procurou sistematizar este processo, acabando por criar o paradigma com o seu nome, que, até hoje, descreve bastante bem a eficácia da comunicação entre indivíduos.



O modelo linear de Lasswell foi desenvolvido em 1948, constatando que comunicar eficazmente se resumia a responder às seguintes questões:



Quem? O emissor
Em qualquer processo da comunicação, devemos começar por definir quem faz a comunicação. Na vida em sociedade representamos uma enorme variedade de papéis. A comunicação será tanto mais inteligível quanto mais clara for a qualidade do papel do emissor, enquanto comunicador. O papel que elr assume clarifica a comunicação.


Diz o quê? A mensagem
Costuma dizer-se que se cada um de nós pensasse previamente no que vai comunicar reduziria as suas comunicações em mais de 50 por cento. Comunicamos sem tino. Em casa, na escola, no trabalho, em toda a parte. Podíamos deixar de fazer metade das nossas comunicações, sem qualquer prejuízo.

A mensagem é aquilo que liga o emissor ao receptor. Aqui, colocam-se todas as palavras relativas à significação e à interpretação. É preciso ter em atenção quem emite a mensagem, por que razão a emite e com que significação. De outro modo, a comunicação não é efectiva, uma vez que os significados do emissor e do receptor não coincidem.

Lasswell recomenda cuidado na interpretação de imagens, de emoções ou de sentimentos através das palavras. O que se comunica depende, para a significação, de palavras bem escolhidas, organizadas em frases. Palavras e frases que devem transmitir com clareza, o sentido do que queremos transmitir.

Como? Através de que canal
A escolha do meio adequado pode, por vezes, garantir o êxito ou provocar o fracasso do processo de comunicação.

A quem? Ao receptor
Há quem defenda que o grau de importância do emissor se dilui perante o grau de importância do receptor no processo de comunicação humana. Na verdade, o receptor condiciona a forma da comunicação entre os indivíduos.

Com que objectivos? Quais os efeitos
A finalidade da comunicação deve ser evidente, para precaver distorções e mal entendidos. É vulgar alguém dizer após ler ou ouvir uma comunicação: “Mas, afinal, o que queria dizer aquele falatório todo?”

Isto é: qual foi o objectivo da comunicação? Qual a finalidade da comunicação? Quais os efeitos da comunicação?


Podemos dizer que este modelo é um esquema basicamente descritivo e cuja finalidade é estabelecer a análise dos actos comunicativos, baseando-se em três premissas consistentes:

1 – É um processo assimétrico, com um emissor activo que produz o estímulo para um público (receptores) passivo;

2 – É um processo comunicativo intencional, tendo por objectivo obter um determinado efeito observável e susceptível de ser avaliado;

3 – É um processo em que os papéis do emissor e do receptor surgem isolados, independentemente das relações sociais, culturais e situacionais em que se realiza o acto comunicativo.



Aplicação do esquema de Lasswell ao processo de ensino-aprendizagem




O Modelo Linear de Shannon e Weaver

Shannon e Weaver são dois engenheiros electrónicos que elaboraram o seu modelo partindo da observação dos telégrafos. Este modelo mecânico dá ênfase não à mensagem, pois encara-a como algo secundário, mas à própria transmissão, ao sinal perceptível e, consequentemente, à sua boa recepção pelo receptor.


Este é um modelo básico de comunicação que a apresenta como um simples processo linear, tendo a sua simplicidade suscitado muitas críticas e cuja finalidade é medir a quantidade de informação contida numa mensagem e a capacidade de informação de um dado canal, quer a comunicação se efectua entre duas máquinas, dois seres humanos ou entre uma máquina e um ser humano.

Shannon e Weaver identificam três níveis de problemas no estudo da comunicação:

Nivel A (problemas técnicos) – Com que precisão se podem transmitir os símbolos da comunicação?

Nível B (problemas semânticos) – Com que presisão os símbolos transmitidos transportam o significado pretendido?

Nível C (problemas de eficácia) – Com que eficácia o significado recebido afecta a conduta da maneira desejada?

Embora os problemas técnicos do Nível A sejam os mais simples de compreender e, para os quais o modelo originalmente foi criado, estes autores afirmam que os três Níveis não são herméticos, mas sim inter-relacionados e interdependentes, funcionando assim, este modelo, para os três Níveis.

Ao estudarmos a comunicação em cada um destes níveis, compreendemos como podemos melhorar a precisão e a eficácia do processo.

A fonte é vista como detentora do poder de decisão, isto é, decide qual a mensagem a enviar, seleccionando uma de entre um conjunto de mensagens possíveis; esta mensagem seleccionada é depois transformada pelo transmissor num sinal, que é enviado ao receptor através do canal.

Por exemplo, para um telefone, o canal é o fio, o sinal é a corrente eléctrica que passa nele, e o transmissor e o receptor são os auscultadores do telefone.



Neste modelo, alguns novos termos são introduzidos:

O ruído é algo que é acrescentado ao sinal, entre a sua transmissão e a sua recepção e que não é pretendido pela fonte. Inicialmente situado no quadro técnico do canal (pode ser uma distorção do som, interferências nas linhas telefónicas, etc.), foi alargado por Weaver ao nível semântico pelos problemas da interpretação do significado pretendido numa mensagem. O autor sugere que se adicione ao esquema base deste modelo um codificador e um descodificador semântico.

Outra inovação deste modelo trata-se da tentativa de medir o conteúdo ou novidade informática. Essa quantidade mensurável que caracteriza a mensagem está ligada à sua extensão, às dimensões no espaço e no tempo, do seu suporte ou do seu canal de transferência mas sobretudo à imprevisibilidade da sua ocorrência. Esta medição da informação é útil no desenvolvimento do computador moderno e que dá uma grande ajuda aos média pois facilita bastante na transmissão de informação.

Surgem ainda a entropia e a redundância. A entropia define-se como a medida do grau de desordem de um dado sistema de comunicação, a falta de previsibilidade numa situação, resultando em incerteza. A redundância é o oposto da entropia, resulta de uma previsibilidade elevada. Assim, numa mensagem de baixa previsibilidade é entrópica e com muita informação, inversamente, uma mensagem de elevada previsibilidade é redundante e com pouca informação. A redundância desempenha um papel vital na comunicação para organizar e manter a compreensibilidade da mensagem, ajudando a estabelecer um valor optimum para a compreensão da mensagem, apresentado como um jogo dialéctico entre a originalidade (imprevisibilidade) e a inteligibilidade.



Aplicação do esquema de Shannon e Weaver ao processo de ensino-aprendizagem

o Superar as deficiências de um canal com ruído;

o Escolher os meios mais adequados para fazer passar a informação com o menor ruído;

o Superar os problemas de transmissão de uma mensagem entrópica;

o Resolver problemas associados à audiência;

o Estabelecer um valor optimum de inteligibilidade na construção da mensagem para ser percebida pelos alunos.



Modelos de Base Cibernética

Para Norbert Wiener, criador da Cibernética, esta é a consciência tecnológica do homem, isto é, a crescente necessidade de criação de máquinas que imitem o comportamento dom ser humano, podendo abranger vastas áreas de conhecimento como a filosofia, e a sociologia.

A palavra Cibernética deriva do termo grego “kubernetes” que significa “piloto”. Atribuindo-se ao “piloto” a função de comunicar e controlar, transmitindo uma mensagem cuja informação é apenas acessível por ele, da mesma forma que, ao receber uma mensagem, apenas o emissor desta pode aceder-lhe na totalidade.

Segundo este autor, toda a sociedade deveria girar à volta desta ideia e ser entendida não só na comunicação entre os homens, como na comunicação entre o homem e a máquina e entre máquinas.

Os modelos cibernéticos integram o feedback e a retroacção como elementos reguladores da circularidade da informação.

Surgem assim alguns modelos de comunicação interpessoal inspirados nos modelos de base cibernética, uma vez que a interacção é face-a-face.


O Modelo de Comunicação Interpessoal de Schramm

Este autor dá uma nova dimensão aos modelos lineares, com o alargamento das noções de codificação e descodificação. Defendendo que o processo de comunicação é interminável, não se sabendo onde começa nem quando acaba a corrente de informação.



Estamos assim perante um modelo de comunicação onde existe:

o Campo experimental comum;

o Alargamento das noções de codificação e de descodificação;

o Influência exercida mutuamente entre os participantes através da retroacção (feedback).



Aplicação do esquema de Schramm ao processo de ensino-aprendizagem

o De acordo com as respostas dos alunos, o professor pode modificar o resto da lição, para a tornar mais adequada, procurando sempre que os alunos possam aprender os conhecimentos que se transmitem.


O Modelo Circular de Jean Cloutier

Popular pela sua obra “A Era de EMEREC”, Jean Cloutier defende que o “homo communicans” se encontra alternadamente em cada um dos pólos de comunicação ou, até mesmo, em ambos os pólos simultaneamente e que o ponto de partida de um processo de comunicação é sempre o seu ponto de chegada, passando-se de uma base linear para uma base concêntrica.
  

EMEREC personifica o carácter de emissor e receptor de cada pessoa;

LINGUAGEM E MENSAGEM são duas noções indissociáveis, pois é a linguagem que permite incarnar a mensagem;

MEDIUM é o intermediário que permite transpor as mensagens no espaço e no tempo.




Aplicação dos esquemas cibernéticos no processo de ensino-aprendizagem

o O feedback é o factor que distingue informar de comunicar;

o Procurar o feedback é procurar a relação, é considerar o aluno como uma realidade autónoma, é estabelecer a comunicação;

o Surge um novo papel para o formador, deixando de ser o sábio emissor que transmite a sua ciência aos alunos, passando ambos à descoberta do saber;

o Aquisição e compreensão de diversos saberes com recurso aos média.



Modelos de Comunicação de Massas

Os Modelos de Comunicação de massas encontram-se incluídos nos modelos de Base Cibernética por se inspirarem nos princípios da retroacção.

O Modelo de Comunicação de Massas de Shramm

Para Shramm, autor já falado anteriormente nos Modelos de Base Cibernética, ouve alterações na medida em que o emissor ou a fonte é colectivo. Isto é, são ao mesmo tempo, o organismo (por exemplo, um jornal), e os mediadores que dele fazem parte, tendo sempre presente o feedback ou retroacção.



O Modelo Geral de Comunicação de Gerbner

O Modelo de Gerbner tem como característica primordial poder apresentar formas diferentes em função do tipo de situação de comunicação que descreve, adaptando-se para diversos fins.

A sua versão verbal é a seguinte:

1. Alguém;

2. Percepciona um acontecimento;

3. E reage;

4. Numa situação;

5. Através de alguns meios;

6. De modo a tornar disponíveis materiais;

7. Sob determinada forma;

8. E contexto;

9. Transmitindo conteúdo;

10. Com alguma consequência.

Aplicação dos Modelos de Base Cibernética ao processo de ensino-aprendizagem

o As mensagens transmitidas tendo o colectivo (os média) como emissor, vão ser descodificadas, interpretadas e novamente codificadas por cada aluno que, ao se encontrarem no grupo turma, poderão expor os seus pontos de vista. Cabe assim ao professor, não o papel de ensinamento, mas o de mediador de uma mensagem de onde pode surgir diversas interpretações e logo, vários feedbacks.




Modelos Culturais

Os autores dos Modelos Culturais mostram a sua preocupação com a cultura de massa, distinguindo os seus elementos antropológicos mais relevantes e a relação entre o consumidor e o objecto do consumo.

O Modelo Cultural de Edgar Morin

Para este autor, a questão está na cultura de massas, a qual também chama de cultura industrial. “ A cultura de massa é o produto de uma dialéctica produção-consumo, no seio de uma dialéctica global, que é a da sociedade no seu conjunto”, assim, o sucesso do grande público depende do grau de eficácia da resposta às aspirações e necessidades individuais.




O Modelo Cultural de Abraham Moles

Este autor distingue a cultura individual (soma da educação e da experiência de cada individuo) e a cultura colectiva (pertença do individuo a um grupo social). Defendendo a existência de uma interacção permanente entre a cultura e o meio a que ela respeita – sociodinâmica da cultura.




Aplicação dos Modelos Culturais ao processo de ensino-aprendizagem

o Se sabemos por onde passa e como circula a cultura o professor deverá poder actuar sobre ela, tomando partido a respeito da acção que exercem os meios de comunicação de massa sobre o conjunto das acções humanas e sobre a criação de novas ideias.

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Bibliografia:


Fiske, John. Introdução ao Estudo da Comunicação. Porto: Asa Editores, 1993
Freixo, Manuel João Vaz. Teorias e Modelos de Comunicação. Lisboa: Instituto Piaget, 2006
Caetano, Joaquim, Rasquilha, Luís. Gestão e planeamento de Comunicação. Quimera, 2007
Sfez, Lucien. A Comunicação. Instituto Piaget, 1991


http://bemisacaru.blogs.sapo.pt/2894.html
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Paula Martins
Instituto Piaget – Almada
Aluna n.º 42137
Janeiro de 2010

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